Os recentes acontecimentos no campo das redes sociais com o lançamento de video chamadas via Skype dentro do Facebook e o lançamento do Google+ com o também recurso de video chamadas hangout significaram um novo passo na forma como nos comunicamos. As redes sociais podem sim substituir o telefone convencional, pois a maioria das pessoas com as quais falamos está de alguma forma conectada a nós dentro desses sites. Se essa comunicação for de graça, as Teles terão uma grande dor de cabeça em breve.
FACEBOOK + SKYPE = FACEPHONE
No começo de 2011, houve um rumor na internet que o Facebook estaria trabalhando para lançar um aparelho próprio de telefone para concorrer com o iPhone e Android. No entanto, a informação foi desmentida e nunca mais se ouviu falar sobre o assunto. Mas a parceria com o Skype se mostrou um excelente negócio para o Facebook, pois eles não precisam se preocupar em fazer um aparelho, deixando a escolha para o usuário. Eles só precisam deixar o software executando bem para que seja rápido e ofereça uma boa qualidade de imagem e som. Com isso, ganharam um mercado potencial de 750 milhões de usuários de forma rápida e barata. Levando em conta que esses mesmos usuários gastam 750 bilhões de minutos por mês no site, se isso se transformar em minutos de comunicação, vai impactar seriamente o mercado das teles e gerar muita receita de publicidade para o Facebook e o Skype.
GOOGLE+
O Google sabe bem do potencial das redes sociais em redefinir o futuro não só das comunicações, mas também de compras, buscas, recomendações, geolocalização e de novas coisas que ainda estão por vir. Após a tentativa com o finado Google Wave e os problemas de privacidade com o Buzz , uma nova foi feita: o Google+. O produto é similar ao Facebook, mas a maior diferença é o recurso de Círculos, que permite classificar amigos em categorias de amizades: trabalho, família etc. Dessa forma, mensagens, fotos e outras informações ficam restritas às pessoas de determinado círculo e não de todo mundo. Também há o recurso do hangout, que permite fazer vídeo chamadas com até 10 pessoas simultaneamente. Esse recurso é nativo e não um adendo como o do Facebook.
O FUTURO DAS COMUNICAÇÕES
As redes sociais – vistas como uma porta para nos comunicarmos com as pessoas mais próximas – podem causar grandes mudanças. Na era pré-internet, quando queríamos falar com alguém distante, tinhamos que lembrar do número do telefone. Agora, apenas o nome da pessoa é suficiente. Se o celular ou tablet desse amigo(a) estiver sempre online, o número vai ser mais uma coisa do passado. Basta apenas clicar na imagem dela e pronto, já estamos falando. O impacto disso na forma antiga de comunicação já foi previsto e tem data para acabar: 2018. Neste ano, somene 6% da população nos Estados Unidos vai usar os telefones fixos para fazer chamadas como exibe o gráfico abaixo.
Como o Brasil é um país que possui uso intenso de redes sociais, acredito que algo similar acontecerá aqui. Passamos muito tempo conectados e quando a maioria das pessoas estiver acessível por esse meio, ligações por telefone serão algo do passado. Além do problema de queda de receita em voz, as teles devem investir pesado em capacidade para atender a demanda de dados, sendo o que realmente vai fazer esse sistema todo funcionar. O serviço de dados está ficando mais importante que o de voz, pois o crescimento do primeiro é de 4 a 6 vezes por ano. E isso só tende a aumentar com o crescimento das vendas com tablets e smartphones. Na minha opinião, as teles devem já entrar no mercado de conteúdo e comércio eletrônico ou construíndo seu próprio portal ou fazendo parcerias. O valor real da comunicação vai ser as compras e publicidade on-line. Em uma transmissão de 5MB de dados por exemplo, pode estar uma compra de uma TV de LED de 3000 mil reais ou uma simples conversa. A compra é muito mais valiosa.
O mercado de mobile já representa 2% do PIB mundial e ainda tem muito espaço para crescimento a medida que mais gente se conecta via smartphone e tenha as mesmas experiências de navegação e consumo que um laptop ou desktop. Nesse cenário, vejo muito potencial para o Brasil, contudo, não chegaremos muito longe se alguns pontos que muito atrapalham nosso crescimento no setor não forem resolvidos: Nossa carga tributária em telecomunicações ainda for a terceira maior do mundo e não for reduzida a um patamar competitivo; Equipamentos de tecnologia custarem o dobro ou o triplo no Brasil devido também aos impostos de importação. Não podemos mais aceitar que um iPad custe aqui o dobro do que é cobrado nos EUA, já que não ganhamos duas vezes mais que os norteamericanos. Ou um iPhone custar 2 mil reais aqui e 200 dólares nos EUA; Órgãos reguladores fortes que impeçam as teles de cobrarem muito e prestarem um serviço ruim. Precisamos eleger gente comprometida com o tema ou cobrar dos já eleitos melhorias no setor. Sem isso, ficaremos apenas como potencial.
Fonte: Yahoo! Brasil em 14.07.2011 às 13:01h
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